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20 fevereiro 2010

transcendências

Já sabia que estava ferrada quando olhou pela janela em movimento e recebeu a mensagem. Porque como sempre, imergiu naquilo. E eram tantas, tantas flores, e era o movimento das plantas, o crescer das trepadeiras, e tudo aquilo que amava e que a toma como se a afogasse. Ela sabia que estava ferrada, enquanto o micro ônibus corria pelas ruas e ela transbordava aquela beleza indefinível, a luz invernal do fim da tarde e a diferença entre o selvagem e o urbano, a beleza urbana difícil de se ver as vezes, escondida no asfalto.

No metrô, era difícil se focar, porque a mente fugia. Ela lutava contra si mesma tentando ser focada, concentrada. Então, desceu do metrô - e a avenida era a coisa mais bonita que existe no mundo.

Como explicar os faróis e o ruído, o lusco fusco, aquele momento separado do tempo comum, a beleza fluida e inebriante da cidade... e ela tentou evitar, mas não pode, e se viu tomada por aquilo, tomada pela beleza da cidade. E não importava por onde tentasse se orientar, seus passos iam e voltavam mesmo que ela continuasse em frente, e ela era quase invisível.

E naquela hora ela soube que não adiantava lutar. Parou na banca de jornal. Comprou cigarros. Acendeu um. E foi andando devagar, deliciada e agradecida por poder enxergar tudo aquilo, deixando para lá o desassossego do atraso.


(22/julho/2009)